quinta-feira, 20 de agosto de 2009


Nos quatro cantos da terra

Ouve-se um grito engasgado

Um equívoco de significado

Uma visão de quimera.


Em qualquer idioma

Código ou dialeto

O termo é o predileto,

Ainda que se consuma.

Poetas, Cantadores

Escultores e Pintores,

De forma incansável, profunda

Esmerilharam este tema.


E jaz repousa a pergunta...

Se amar demais, vale a pena.


Emoções que calam

Transbordam pelo gargalo

Pingos de chuva no telhado

Deslizam na tragetória.

Pingos criam memória.

As telhas secam

Seca o chão

O desassosego não.

Sépia, chá, sancas

Vida outra, volta

Desvelando lembranças

Abrindo portas.

Olhar vanguarda,

Sedução , sorriso.

O possível impreciso

De toda uma madrugada.

Encontros são poemas

E ávida, a vida encena

O verso vira película

E toda ilusão, vale à pena.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


CANÇÃO X SOLIDÃO...

Ah! Meu bem amado..
Será que te amo como na canção?
Ou é disfarce, para tanta solidão?
Quando pensas no teu amor perdido,
Inunda o peito de paixão...
Ou será que é de aflição?

Se eu quisesse dividir contigo o chão
Nas “touradas” da vida preciso da tua mão
Seguro a mão, mas teu pensamento está longe...
Em outro tempo, outra recordação...

Que juramento pode assegurar o que sentimos em vão?
Que firmamento pode acalmar olhos que enxergam além do mar?
Qual é o azul que pode tingir o vermelho–sangue que quer se espalhar?

Ah! Meu bem amado...
Sei que tens estado sempre ao meu lado,
Mas sempre e sempre é grande a solidão.
E se tivesse um peso,
ela seria o fardo que acorrenta e prende a nossa ilusão.

Não sou mais menina, não danço nas nuvens,
Mas meus pés ainda não tocam o chão.
E se de leve tocam, percebo o quanto é difícil
Caminhar nesta dimensão.

Sobrevoando os personagens, os mitos, as canções,
Fica bem mais fácil.
E canto orações... para os que ainda acham,
Que a vida é feita de razões.
Pergunta morta

Nos quatro cantos da terra
Ouve-se um grito engasgado
Um equívoco de significado
Uma visão de quimera.

Em qualquer idioma
Código ou dialeto
O termo é o predileto,
Ainda que se consuma.

Poetas, Cantadores
Escultores e Pintores,
Esmerilharam este tema.

E jaz repousa a pergunta,
Se amar demais, vale a pena.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008


Com as unhas cravadas na parede lisa
O rosto colado no cimento frio
Escutei do outro lado um gemido
E ao mesmo tempo alguém que ria...

quem será meu deus? que geme assim

E quem é capaz de rir de tanta dor?


Será que é doença? tédio?

Capaz de ser um mal de amor...

Atrás de mim o espelho
Súbito e direto revelou: O gemido saía de minha garganta

E eu mesma, assim como quem canta Ria de minha própria dor.

MIRA


Mirei a maçã sobre sua cabeça
Acertei o coração...mas não a maçã

Desde então não como mais maçãs, nem as colho.
Abandonei o arco. As flechas? Quebrei-as todas.

Somente tua imagem me persegue, sorrindo
Sob a sombra da amendoeira...

E as duas partes da fruta vermelha
Nos antecedem, rolando no chão.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008


CORTINA

Marionetes de pano
Brincando de ser ou não ser.
Vivo ou morto por engano,
Sem saber como e porque.

Todos os dias a rotina,
Castrada e obediente,
Separada por uma cortina
Dos desejos mais latentes.

Na cidade grande
A grana que rima com fama,
Rima com gana e invade:
Afunda na lama o coração.

Cuidado com a pressa.
O que não te interessa
Pode ser a chave da tua prisão.
Vê se te escuta, meu irmão!
Porque um dia, esta voz se cala
E você morre em vida.

O enterro é de gala
Mas, as noites são frias.
Você enche a cara
E paga pra ver:
Mas quem vence nas cartas,
Não é mais você.