sábado, 20 de setembro de 2008

O livro dos vivos


A palavra escrita, desenhada da forma que aprendemos na infância
Nos transporta e nos confunde, nos acalma e nos assusta
Não somos nada sem ela. Com ela não sabemos o que somos.
É o sumo do que sentimos na sede do que calamos.
Foto do suspiro suspenso na alma
Retrato do instante em que revelamos
Na tinta, no lápis, na tela, na palma.

Pinturas rupestres nas cavernas
Escritos egípcios, marcas nas pedras
Desenhos no embaço das janelas
Estamos sempre marcando
A nossa doída existência
Aos decendentes ofertando.

Mesmo que eu escreva
Em todas as peles do mundo
Em todos os muros, espaços
No chão, nas paredes dos quartos
Sempre será incompleto
Jamais saberemos de fato
A que viemos ao certo.
Temos como consolo, então
Este sentimento absurdo
O amor- desejo- paixão
Que torna o instante mudo.

Uma só palavra que eu tenha marcado
Na superfície da tua pele macia
É minha glória e meu legado
Livro da vida que principia.

Quero ser no teu corpo mais que tatuagem
Quero ser a miragem de uma letra escrita
Em um livro que não se vira a página.
Deitada num sonho que nunca termina.

Deixai... ó dono da pele
Que eu escreva em todo seu ser
E prá sempre te revele
Segredos de amor e prazer.

Seguirei escrevendo frases
Na pele de tantas criaturas
Nas almas, nas vidas, na areia
Se apaga com mar e com chuva

Fica a imagem na lembrança...
O aroma no sentido...
O Livro das esperanças
E o dos afetos doloridos.


Andrea Barros.
16/07/2007

Nenhum comentário: