quarta-feira, 22 de outubro de 2008


CORTINA

Marionetes de pano
Brincando de ser ou não ser.
Vivo ou morto por engano,
Sem saber como e porque.

Todos os dias a rotina,
Castrada e obediente,
Separada por uma cortina
Dos desejos mais latentes.

Na cidade grande
A grana que rima com fama,
Rima com gana e invade:
Afunda na lama o coração.

Cuidado com a pressa.
O que não te interessa
Pode ser a chave da tua prisão.
Vê se te escuta, meu irmão!
Porque um dia, esta voz se cala
E você morre em vida.

O enterro é de gala
Mas, as noites são frias.
Você enche a cara
E paga pra ver:
Mas quem vence nas cartas,
Não é mais você.

Um comentário:

ricardo cidade disse...

É isso aí!
A máquina do mundo moendo as gentes
Karl Marx puro!
Esse poema é óleo q nao se mistura com a água salobra da servidão.
Salve Andrea do Rêgobarros!!