quarta-feira, 22 de outubro de 2008


CORTINA

Marionetes de pano
Brincando de ser ou não ser.
Vivo ou morto por engano,
Sem saber como e porque.

Todos os dias a rotina,
Castrada e obediente,
Separada por uma cortina
Dos desejos mais latentes.

Na cidade grande
A grana que rima com fama,
Rima com gana e invade:
Afunda na lama o coração.

Cuidado com a pressa.
O que não te interessa
Pode ser a chave da tua prisão.
Vê se te escuta, meu irmão!
Porque um dia, esta voz se cala
E você morre em vida.

O enterro é de gala
Mas, as noites são frias.
Você enche a cara
E paga pra ver:
Mas quem vence nas cartas,
Não é mais você.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008


O Reverso

Jurei não mais dedicar-lhe um verso
Nem uma rima, uma estrofe sequer
Magoado o coração de menina
Abalada a existência de mulher

Mas um verso é livre como uma flecha
Vai certeiro; mira aonde quer chegar
E não há força no mundo que impeça
Vem, se lança ainda teima em te alcançar


De minha jura, ocorreu foi o inverso
Disparou-me a poesia em desatino
Debruçou-se meu destino em teu reverso

E agora só existo por escritos
Pela tinta de minh’alma derramados
No crepúsculo de um amor adormecido.

Andréa Barros 19/02/08